Durante quase 3 semanas a minha gata esteve desaparecida. Foram dias tristes cá por casa. Num dia ela estava cá em casa muito bem e, no dia seguinte, tinha-se evaporado completamente, sem deixar rasto. É claro que além da tristeza, de quem considera que um animal de estimação faz parte da família, havia também a incerteza, a incompreensão e sobretudo uma sensação de impotência. A impotência de não poder fazer nada para recuperar a nossa gatinha.

Mas o que eu achei mais estranho no meio disto tudo foi a reação das pessoas. A maioria das pessoas que tinha conhecimento deste desaparecimento ficaram sensibilizadas pela situação e diziam-me: “Tem fé. Ela vai aparecer. Não podes perder a esperança…” Aos poucos eu comecei a perceber que as pessoas confundem fé com querer.

A maioria das pessoas considera que ter fé é querer com muita força uma determinada coisa. Para mim ter fé é algo completamente diferente. Para mim ter fé é acreditar que tudo, exatamente tudo, na vida é perfeito. E se o Universo me envia uma perda, uma situação desagradável, seja ela qual for, é porque de alguma maneira eu preciso de vivenciar aquela emoção. Eu posso não saber o porquê de ter que vivenciar aquela emoção, mas ter fé é acreditar que existe no céu uma força muito maior do que eu, que me cuida e que me guia. E se essa força, essa energia, essa Luz me propõe vivenciar uma determinada emoção, neste caso impotência, eu devo aceitá-la dentro do meu peito. Não é preciso aceitar a situação em si, mas sim a emoção que isso me provoca.

Pegando neste exemplo do desaparecimento da gata, eu não preciso de aceitar que a gata nunca mais vai aparecer, não é isso. Eu preciso de aceitar a emoção, a tristeza de ela ter desaparecido. Mas simultaneamente posso (e devo) agir para que a situação se altere. Neste caso, além de me fragilizar, além de ficar triste, além de chorar, eu espalhei cartazes com a fotografia da gata, mandei emails, perguntei aso vizinhos, fiz várias coisas para que ela aparecesse. E depois entreguei aos céus, fiz a minha parte e larguei o assunto, pois eu sabia que aquilo que acontecesse seria o melhor para mim, para a minha alma e para a minha evolução. Isto é ter fé. Ter fé não é acreditar que coisas boas vão acontecer.

Se eu tivesse ficado a querer com muita força, a acreditar com todas as forças, ou mesmo a rezar a Deus para que a gata aparecesse, eu não estaria a confiar no Universo. Nesse caso eu estaria a dizer a Deus que as coisas têm que ser do meu jeito, à minha maneira, que eu é que sei como é que as coisas se desenrolam. Nesse caso, eu estaria a enviar ao Universo a ideia de que eu acho que sei mais do que Ele, que foi um erro a minha gata ter desaparecido e que é preciso que Ele remedie a situação. Isto para mim não é ter fé.

Quando algo de desagradável acontecer na tua vida, acredita que isso tem uma razão de ser, aceita a emoção que isso te faz sentir e pode ser que um dia venhas a perceber o porquê daquilo ter acontecido. E nesse dia vais perceber que Deus não é mau, vais perceber que o Universo é perfeito e que tudo, exatamente tudo, tem um propósito para ser assim. Afinal de contas, se a minha gata não tivesse desaparecido, eu não te escreveria este post 😉

 

RUTE VIDIGAL

Mentoria Espiritual

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